Pega essa psicodelia do "Cotidiano"...
"Havemos de favorecer e ajudar aos necessitados e desvalidos. Hás de saber, Sancho, que este, que vem pela nossa frente, o capitaneia o grande Imperador Alifanfarrão, senhor da grande Trapobana; e estoutro, que marcha por trás das minhas costas, é o do seu inimigo el-rei dos garamantes Pentapolim do Arremangado Braço, porque sempre entra nas batalhas com o braço direito nu. Este Alifanfarrão é um pagão furibundo, e está enamorado da filha de Pentapolim. Seu pai não quer dá-la ao rei pagão”.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
quinta-feira, 12 de março de 2009
Mallu Magalhães (2008)
Digo isso, porque não tem nada mais oposto da figura tradicional do rockeiro e da rockeira do que a Mallu Magalhães. Sabe-se que o rock pega as pessoas já pela tenra idade, mas, segundo o padrão tradicional, essas pessoas têm que se submeter a uma espécie de rito de passagem, onde aprende-se a experimentar drogas das mais variadas, ter predileção por uma aparência mais desleixada ou intencionalmente casual (de preferência, com uso de roupas com tons mais escuros), personificarem a filosofia do carpe diem radical e ter um forte senso de auto-destruição. Uma das figuras femininas mais célebres é a Joan Jett, que traz consigo ainda o tom provocativo do timbre vocal. A Mallu Magalhães não tem nada disso e, a despeito das discordâncias que possam surgir sobre sua música, tem suas influências marcadamente no rock. E como não ser flagrado em repentes de ternura ao ouvir sua voz de menina?
Bem, o que de fato me gera curiosidade é tentar imaginar como seria se o reconhecimento da Mallu viesse mais tarde, por exemplo, aos 25 anos, depois de ter passado por todos os passos do rock and roll: das bandas de garagem, às casas noturnas e suas mais diretas consequências. Qual seria o seu apelo?

Downloadeie este disco
Luís Fernando Veríssimo - Onde Estamos
De tanto repetirem que o Brasil não é a Rússia, comecei a desconfiar. Será que não é? Este governo tem-se esforçado para nos convencer de que o Brasil que a gente vê não é o Brasil de verdade, é outro país. E se é outro país, por que não pode ser a Rússia? Agora, toda vez que eu
saio de casa e dou com o Brasil que a propaganda do governo diz que não é o Brasil, começo a prestar atenção. Se não é o Brasil, que país é este? Onde, afinal, nós estamos?
Não se vê nenhum sinal ostensivo de que estamos na Rússia. Os indícios, se existem, estão muito bem camuflados. Neva em alguns lugares do Sul do Brasil, no inverno, mas nada comparável à Rússia, onde neva em toda parte a toda hora. Mas quem nos assegura que o próprio clima tropical não faz parte da dissimulação? Se o Brasil é mesmo tão tropical assim, por que tem que fazer tanto calor com tanta freqüência, como se estivessem preocupados em enfatizar justamente a nossa diferença da Rússia? O mesmo pode ser dito da nossa paisagem, tão convenientemente o oposto das estepes russas. Conveniente demais.
Alguns cartazes que você vê na rua têm as letras invertidas — como se sabe, russo é de trás para diante — mas aí não é russo, é erro de português mesmo. Ou serão recaídas no alfabeto russo por dissimuladores distraídos? Há muita coisa escrita em inglês, o que também é suspeito. Durante muito tempo, Rússia e Estados Unidos foram arquiinimigos. Se você quisesse convencer alguém de que o Brasil definitivamente não é a Rússia, não tem jeito de ser a Rússia, é até uma anti-Rússia, qual seria a melhor maneira de fazer isso? Convencendo-o de que o Brasil é os Estados Unidos, claro. Quanto mais vejo apóstrofes, nomes em inglês, filmes americanos e mac-chickens, mais me convenço de que estamos na Rússia.
Outra coisa: a imprensa. Tentam disfarçar, mas a imprensa Dbrasileira cada vez mais se parece com a imprensa russa. A própria insistência com que nos dizem que o Brasil não é a Rússia reforça a desconfiança de que estamos na Rússia, pois a imprensa russa não fazia outra coisa senão tentar convencer os russos de que o país que eles viam também não era a Rússia, que a Rússia de verdade era a da propaganda do governo. Quanto mais os jornais nos asseguram que o Brasil não é a Rússia, mais desconfiamos de que estamos lendo versões do Pravda com as letras trocadas.
Há outras semelhanças que fazem pensar e desconfiar. Nós também saímos de um período de economia dirigida para um período de economia aberta que culmina com um período de economia mafiosa, com a única diferença que a máfia russa — realizando um sonho das máfias de todo o mundo, que até agora não tinham passado da bazuca — tem armas nucleares. No Brasil, como na Rússia, também há gangues organizadas brigando pelo espólio do estatismo enquanto o povo fica à parte, convencido pela propaganda do governo que o dele já vem. E tanto lá como aqui, se é que aqui não é lá, tudo se deve a uma rendição incondicional a um charlatão oxigenado chamado Mercado, que teria as respostas para tudo.
Sei não, numa dessas caem os disfarces e se revela que o Brasil é, sim, a Rússia. Como o inverno russo se aproxima, acho que vou comprar um gorro de pele. Pelo menos salvo as orelhas.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
A Ópera (Capítulo IX de "Dom Casmurro)
Uma noite, depois de muito Chianti, repetiu-me a definição do costume, e como eu lhe dissesse que a vida tanto podia ser uma ópera como uma viagem de mar ou uma batalha, abanou a cabeça e replicou:
— A vida é uma ópera e uma grande ópera. O tenor e o barítono lutam pelo soprano, em presença do baixo e dos comprimários, quando não são o soprano e o contralto que lutam pelo tenor, em presença do mesmo baixo e dos mesmos comprimários. Há coros numerosos, muitos bailados, e a orquestração é excelente...
— Mas, meu caro Marcolini...
— Quê?...
E, depois de beber um gole de licor, pousou o cálix, e expôs-me a história da criação, com palavras que vou resumir.
Deus é o poeta. A música é de Satanás, jovem maestro de muito futuro, que aprendeu no conservatório do céu. Rival de Miguel, Rafael e Gabriel, não tolerava a precedência que eles tinham na distribuição dos prêmios. Pode ser também que a música em demasia doce e mística daqueles outros condiscípulos fosse aborrecível ao seu gênio essencialmente trágico. Tramou uma rebelião que foi descoberta a tempo, e ele expulso do conservatório. Tudo se teria passado sem mais nada, se Deus não houvesse escrito um libreto de ópera, do qual abrira mão, por entender que tal gênero de recreio era impróprio da sua eternidade. Satanás levou o manuscrito consigo para o inferno. Com o fim de mostrar que valia mais que os outros — e acaso para reconciliar-se com o céu —, compôs a partitura, e logo que a acabou foi levá-la ao Padre Eterno.
— Senhor, não desaprendi as lições recebidas, disse-lhe. Aqui tendes a partitura, escutai-a, emendai-a, fazei-a executar, e se a achardes digna das alturas, admiti-me com ela a vossos pés...
— Não, retorquiu o Senhor, não quero ouvir nada.
— Mas, senhor...
— Nada! nada!
Satanás suplicou ainda, sem melhor fortuna, até que Deus, cansado e cheio de misericórdia, consentiu em que a ópera fosse executada, mas fora do céu. Criou um teatro especial, este planeta, e inventou uma companhia inteira, com todas as partes, primárias e comprimárias, coros e bailarinos.
— Ouvi agora alguns ensaios!
— Não, não quero saber de ensaios. Basta-me haver composto o libreto; estou pronto a dividir contigo os direitos de autor.
Foi talvez um mal esta recusa; dela resultaram alguns desconcertos que a audiência prévia e a colaboração amiga teriam evitado. Com efeito, há lugares em que o verso vai para a direita e a música para a esquerda. Não falta quem diga que nisso mesmo está a beleza da composição, ugindo à monotonia, e assim explicam o terceto do Éden, a ária de Abel, os coros da guilhotina e da escravidão. Não é raro que os mesmos lances se reproduzam, sem razão suficiente. Certos motivos cansam à forç de repetição. Também há obscuridades; o maestro abusa das massas corais, encobrindo muita vez o sentido por um modoconfuso. As partes orquestrais são aliás tratadas com grande perícia. Tal é a opinião dos imparciais.
Os amigos do maestro querem que dificilmente se possa achar obra tão bem acabada. Um ou outro admite certas rudezas e tais ou quais lacunas, mas com o andar da ópera é provável que estas sejam preenchidas ou explicadas, e aquelas desapareçam inteiramente, não se negando o maestro a emendar a obra onde achar que não responde de todo ao pensamento sublime do poeta. Já não dizem o mesmo os amigos deste.
Juram que o libreto foi sacrificado, que a partitura corrompeu o sentido da letra, e, posto seja bonita em alguns lugares, e trabalhada com arte em outros, é absolutamente diversa e até contrária ao drama. O grotesco, por exemplo, não está no texto do poeta; é uma excrescência para imitar as Mulheres patuscas de Windsor. Este ponto é contestado pelos satanistas com alguma aparência de razão. Dizem eles que, ao tempo em que o jovem Satanás compôs a grande ópera, nem essa farsa nem Shakespeare eram nascidos. Chegam a afirmar que o poeta inglês não teve outro gênio senão transcrever a letra da ópera, com tal arte e fidelidade, que parece ele próprio o autor da composição; mas, evidentemente, é um plagiário.
— Esta peça, concluiu o velho tenor, durará enquanto durar o teatro, não se podendo calcular em que tempo será ele demolido por utilidade astronômica. O êxito é crescente. Poeta e músico recebem pontualmente os seus direitos autorais, que não são os mesmos, porque a regra da divisão é aquilo da Escritura: “Muitos são os chamados, poucos os escolhidos”. Deus recebe em ouro, Satanás em papel.
— Tem graça...
Graça? bradou ele com fúria; mas aquietou-se logo, e replicou:
— Caro Santiago, eu não tenho graça, eu tenho horror à graça. Isto que digo é a verdade pura e última. Um dia, quando todos os livros forem queimados por inúteis, há de haver alguém, pode ser que tenor, e talvez italiano, que ensine esta verdade aos homens. Tudo é música, meu amigo. No princípio era o dó, e o dó fez-se ré etc. Este cálix (e enchia-o novamente), este cálix é um breve estribilho. Não se ouve? Também não se ouve o pau nem a pedra, mas tudo cabe na mesma ópera...
domingo, 11 de janeiro de 2009
Beirut - Elephant Gun (Legendado)
Música de abertura do seriado "Capitu". Clipe bem bonitinho. Vontade estranha de chorar!
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Litlle Joy
Eu estava bem muito atrás desse disco. Queria ouvir integralmente todas as faixas. Não me contentava com os 25 segundos que a Amazon disponibilizava só pra cutucar anseio consumista. Agora que o tenho, disponibilizo para quem inadvertidamente passar por acaso por este humilde e gratuito espaço virtual.
O disco está uma belezinha. As músicas são muito bonitinhas e gostosinhas de ouvir. Dá um sentimento de nostalgia danada. O triste é que dura pouco: passa um tiquinho só dos 30 minutos. Mas é bom pra ouvir enquanto se toma banho, lava a louça ou arruma as gavetas do quarto.
Curto e memorável. O que me remete a meus bons e esquecidos discos de punk rock.

Downloadeie este disco.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Especial de Natal - Ted Gugu e Os Espanta Nenem
Banda de Maringá, Ted Gugu e Os Espanta Nenem soa bem aos ouvidos não só pelo seu registro de batistério (ou, se quiserem, simplesmente "nome"), mas também pela verve humorística a perpassar suas letras, que aproveitam a pegada punk de uma boa combinação de "power chords" e o timbre característico do vocal para grudarem na minha memória e serem a causa dos reicidivos sorrisos despropositados que muitas vezes me fazem passar vergonha quando estou na companhia tediosa de certos interlocutores e substituo a reivindicada atenção na conversa por repentes de imitação gratuita das levadas de baixo e bateria "a la Ramones" que marcam a visceralidade dessa amostra de cinco músicas.
A banda tem se apresentado em bares de Maringá e vem conquistando fiéis simpatizantes. Além dessas cinco, outras seis já foram levadas ao estúdio, mas serão retocadas para virem a compor sua demo de estréia posteriormente. De qualquer modo, 2009 promete para Ted Gugu e Os Espanta Nenem e consequentemente para quem gostar da banda.
A página da banda na internet é www.myspace.com/tedgugu

Downloadeie esta demo
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Latuya - Alegorias Gratuitas
Mas, afinal, a que veio Latuya? Se não é por partidas e chegadas que se guia o magma de qualquer arte, mas em travessia, descaminhos das batidas, notas, palavras.
Latuya, latinacortante, demonstra toda a gana de uma banda que surge para marcar presença, com talento, rebeldia, persistência; não para ser astro raso de quinze minutos de fama.
"Mismo que su corazón sea un hijo de la madre tristeza."

Downloadeie este disco
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Estou lendo: A Teoria da Alienação em Marx
Evidentemente, o ´determinismo econômico´ nega a inter-relação dialética de temporalidade e atemporalidade, de descontinuidade e continuidade, de história e estrutura. Opõe à concepção dialética marxiana um modelo mecânico no qual uma estrutura atemporal de determinações prevalece. (Alguns dos chamados ´marxistas estruturalistas´, com sua rejeição antidialética do ´historicismo´, são representativos do ´determinismo econômico vulgar´, com um disfarce ´estruturalista´ culturalmente em moda. Foi essa velha tendência do ´determinismo econômico vulgar´ que levou Marx a dizer, há muito tempo: ´Eu não sou marxista´.) O conceito de mediações complexas está ausente da visão dos deterministas econômicos que - ainda que inconscientemente - capitulam ante a ´necessidade econômica cega´ que parece predominar por meio do caráter fetichista do capitalismo, pela alienação e reificação das relações sociais de produção do capitalismo. (As Geisteswissenschaften ["ciências do espírito"] e - mutatis mutandis - suas versões estruturalistas modernas são, quanto à sua estrutura conceitual fundamental, uma forma mistificada de determinismo econômico ´de cabeça para baixo´, na medida em que lhes falta o conceito crucial de mediação. Elas refletem o mesmo tipo de determinações mecânicas diretas sob nomes ´espiritualizados´. Consequentemente, evidenciam uma negação rígida de toda a historicidade, ou então inventam uma pseudo-história do ´espírito´, desprovida das transições e mediações dialéticas objetivas que caracterizam uma genuína exposição histórica. É bastante significativo que alguns ´estruturalistas marxistas´ possam oscilar, com maior facilidade, entre as categorias de Geisteswissenschaften e seus próprios conceitos pseudomarxistas - isto é, conceitos deterministas econômicos vulgares.)"
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Ted Gugu e os Espanta Nenem - Tuinal Gardenal
Banda de Maringá muito boa, que faz um "rock ´n punk roll, mother fucker" muito da hora!
Ted Gugu e os Espanta Nenem - July
Banda de Maringá muito boa, que faz um "rock ´n punk roll, mother fucker" muito da hora!
Ted Gugu e os Espanta Nenem - Menina de Família
Banda de Maringá muito boa, que faz um "rock ´n punk roll, mother fucker" muito da hora!
Ted Gugu e os Espanta Nenem - Como você engordou!
Banda de Maringá muito boa, que faz um "rock ´n punk roll, mother fucker" muito da hora!
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
A Marcha da Insensatez
O pequeno saldo restante fica longe de explicar o acúmulo de cerca de US$ 200 bilhões em reservas, alardeado como sinal de solidez. A maior parte dessas reservas foi formada com capital externo de curto prazo, atraído ao Brasil pelos juros altos e aqui distribuídos em ativos dotados de elevada liquidez. As reservas brasileiras são a contrapartida de um passivo líquido que, ao se mover, pode reduzi-las a pó. Enquanto o governo comemorava o 'fim da dívida externa', formava-se uma nova dívida mais perigosa.
Esse capital de curto prazo não planta um pé de alface. Ao contrário: ao entrar, valoriza o câmbio e contribui para fragilizar o sistema produtivo. Não faltaram advertências sobre isso. Mas a valorização cambial tinha aliados poderosos: ajudava o BC a atingir as metas de inflação, aumentava as remessas de lucros das empresas multinacionais e permitia gigantescos ganhos aos
especuladores. Passear com recursos pelo Brasil, remunerando- os com a nossa generosa taxa de juros, e remetê-los em seguida para fora, comprando dólar barato, foi o melhor negócio do mundo nos últimos anos.
Enquanto isso, a nossa pauta de exportações se empobrecia, concentrando- se naqueles produtos em que temos grandes vantagens comparativas - as commodities. Todos sabem que, no longo prazo, isso é perigoso. Porém, um dos subprodutos do ciclo especulativo foi justamente o aumento de preços dessas mercadorias de baixo valor agregado. Nossas exportações estagnaram em quantum, mas cresceram em valor, ocultando temporariamente o problema. Em paralelo, para que os exportadores brasileiros compensassem o câmbio ruim, o BC os estimulou a entrar pesadamente na especulação com moedas. A bolha se disseminou. As advertências de que o arranjo tinha pés de barro foram sistematicamente desqualificadas.
Mesmo com a crise internacional se avolumando desde agosto de 2007, não adotamos salvaguardas. Colheremos os resultados em 2009. As empresas que tiveram grandes perdas cortarão investimentos. Com a queda nos preços das commodities, o saldo comercial ficará perto de zero. As remessas de recursos ao exterior aumentarão, elevando o déficit externo. O BC adotará políticas recessivas, que provavelmente incluirão um novo choque de juros. Os prejuízos serão repassados ao Tesouro Nacional, contabilizados como déficit público, reforçando o coro favorável a mais uma rodada de cortes em gastos essenciais, como se salários de professores e investimentos em infra-estrutura fossem a causa da crise. É a marcha da insensatez.
O Fed deixará conosco US$ 30 bilhões até abril de 2009, para que possamos segurar a oscilação cambial e acalmar os mercados. O capital de curto prazo, com certeza, entendeu o recado: tem seis meses para ir embora sem maiores perdas. Depois, seja o que Deus quiser.
------------ --------- --------- --------- --------- --------- --------- --------- -----
CESAR BENJAMIN, 53, editor da Editora Contraponto e doutor honoris causa da Universidade Bicentenária de Aragua (Venezuela), é autor de 'Bom Combate' (Contraponto, 2006). Escreve aos sábados, a cada 15 dias, nesta coluna.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Tianastácia
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Tommy Emmanuel - Guitar Boogie
Rock ´n Roll, baby!
Quero ver quem consegue ficar sem mexer, no mínimo, os joelhinhos.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Sumário - Paulo Leminski
Estava eu procurando algo para ler no computador, quando decidi voltar a ler os "Anseios Crípticos 2" do Leminski. Era a terceira vez que o começava. As duas anteriores não o finalizaram e havia muito tempo que deixara pra lá a empreitada. Enfim, comecei a lê-lo e uma coisa interessante aconteceu. Por um momento, eu me esqueci que livro de poesia costuma ter sumário e comecei a ler o Sumário do livro como se fosse mais uma poesia do Leminski. Não sei por que não atinei que o Sumário estava ali justamente para indexar as poesias no livro e que aquilo que para mim eram os versos não passavam, na verdade, da hierarquia das poesias por ordem de chegada. Ri sozinho e achei graça nisso, e decidi postar o sumário do livro no blog. Leiam-no desconsiderando o fato de saberem que trata realmente do sumário de um livro, acreditando que seja mesmo mais uma sacada do Leminski e vejam se não dá pra se enganar. E deliciosamente.
sumário
m, de memória
latim com gosto de vinho tinto
um texto bastardo
taiyo to tetsu: entre o gesto e o texto
lennon rindo
ferlinguete-se!
o uivo e o silêncio
jarry, supermoderno
folhas de relva forever: a revelação permanente
méxico
sertões anti-euclidianos
trans/paralelas
significado do símbolo
o veneno das revistas da invenção
grande ser, tão veredas
e o vento levou a divina comédia
poeta roqueiro
aventuras do ser no nada: quem tem náusea de Sartre?
tímidos e recatados
tradução dos ventos
prosa estelar
bonsai: niponização e miniaturização da poesia brasileira
história mal contada
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Vai Uma Opinião Formada aí?
Isso é bom? Nã sei. Mas incomoda um pouco, porque todo mundo se torna um formador de opinião. A alcunha pode trazer um aprazido afago no ego sem que necessariamente se escape de ser ridículo. Imagine o diálogo de dois velhos conhecidos que se encontram por acaso numa partida de badminton:
- Ô rapá, há quanto tempo?
- Vixe, acabei de chegar, mas acho que deve ter uns 10 minutos jogados só. Você também está torcendo para os de camiseta branca e shorts azuis?
- Putz! Ainda com aquele problema de dislexia? Não procurou ajuda especializada?
- Procurei, mas sabe como é, você pega essa crise toda acontecendo, junta a minha dificuldade de entendimento, adiciona a chatice de procurar alguma coisa no emaranhado de letrinhas minúsculas das páginas amarelas, no final, o máximo que você consegue é acabar caindo no escritório de um bom retórico que hoje ganha a vida como formador de opinião.
- Hum. Sei. Formador de opinião, é? Então, sarar, você não sarou, mas saiu de lá com sua opinião formada.
- Iss. E pra garantir ele ainda me deu um certificado que comprova a formação da minha opinião.
- Puxa, vida. Me passe, então, o endereço, que eu vou procurar esse sujeito. Quero ter minha opinião formada por ele. Saio de lá com opinião formada, graduada e com canudo. Posso até ganhar vantagens no mercado de trabalho.
O disléxico passa o endereço - errado - para o outro, que sai feliz sem saber que tinha sido enganado pelo amigo, cujo senso de sobrevivência o obrigou a eliminar um possível concorrente.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Estou lendo: História do Cerco de Lisboa de José Saramago
Para quem já leu algum livro do Saramago fica fácil identificar os cortes textuais, isto é, onde fala o narrador, onde falam os personagens e onde há citações das mais variadas. Para quem não leu nenhum livro do Saramago, além de desejar os pêsames, basta dizer que estes cortes estão indicados por vírgulas seguidas (ou não) de uma letra maiúscula.
Nesta passagem, o autor da fictícia História do Cerco de Lisboa está narrando parte da batalha entre cristãos e mouros pela tomada da cidade de Lisboa - nesta passagem, ainda em mãos muçulmanas.
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Contos da Meia Noite
PS: todos os arquivos estão em .flv
A Cabeça - Luis Vilela (por Giulia Gam)
A Filha do Patrão - Artur Azevedo (por Beth Goulart)
A Medalha - Lygia Fagundes Telles (por Maria Luisa Mendonça)
A Moralista - Dinah Silveira de Queiroz (por Maria Luisa Mendonça)
A Passagem - Leo Trombka (Paulo Cesar Pereio)
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
A bela rabisqueira contra a página em branco
- Quem diz-que é isso?
- Ah, um sujeito aí.
- Não conhece?
- Devo conhecer, mas não lembro. Pra mim, é um sujeito meio indefinido.
- Indefinido ou oculto?
- Pensando bem, do tanto que isso é repetido pela boca do povo, esse tal de sujeito está mais pra onipresente.
- Pois é, mas se você, por acaso, encontrar esse cabra por aí, avise ele que eu vou dar um safanão nas ventas dele.
- Oxe! E por que?
- Oxe! Como é que fala e faz o povo repetir que criança é página em branco! É nunca que é! Criança é bem sabida, sim senhor. Tenho até medo, às vezes.
- E é mesmo. Sei não, mas tenho pra mim que elas estão mais espertas que nós. Acho que é por causa da televisão.
- Outro dia, me vi num perrengue danado tendo que explicar pro meu menino umas coisas sobre a páscoa que eu não sabia: esse negócio de Jesus morrer todo ano na sexta-feira-santa e a reza dizer que ele ressuscita no 3° dia, quando, na verdade, ele ressuscita mesmo é dois dias depois, no Domingo. Que jeito que explica isso pro moleque?
- Ixi, rapaz, sei não. Mas vou manter meu menino meio afastado do seu por uns tempos.
- Certo faz você. Meu menino é um tiquinho de nada, mas me põe contra a parede que é um deus-nos-acuda.
- Mas será que, por isso, dá pra dizer que não é página em branco?
- Se dá! Tudo bem que pode não ser já escritinho bonitinho em arial 12, mas que é uma bela duma rabisqueira, isso é.
domingo, 10 de agosto de 2008
Miss Luft e a Foto sem Graça
Eu sei e tenho me esforçado muito. Já cedi às insistências de alguns amigos que me pedem para deixar de ser intransigente e ser mais flexível com alguns costumes alheios. Mas há modas que eu não consigo entender. No círculo universitário, há uma espécie de "máxima" que sentencia que a origem do artigo desqualifica o artigo, usada para incentivar o “não botar muita fé” em análises cujo objetivo não vai muito além de criação de um senso comum que justifique tomadas de posição precipitadas. O fato que me levou a escrever esta postagem, no entanto, não tem nada a ver com isso. Desculpem.
É que eu estava folheando a revista Veja e reparei numa coisa. Parantesis: não gosto da revista, embora seja muitas vezes forçado a lê-la, especialmente quando freqüento cafeterias, consultórios e ambientes afins; isso é engraçado porque, a despeito da aura de seriedade que ronda a publicação, nesses lugares ela fica exatamente no lugar que acredito caber a ela: ao lado de revistas de fofocas, de conselhos astrais, cuja superficialidade invariavelmente leva a quem mergulha em suas leituras freqüentes traumatismos crânio-encefálicos. Parêntesis. Me chamou a atenção aquela coluna da Lya Luft. Mas não foi o texto; foi a foto dela. Li o texto, mas não me surpreendi com ele. Achei engraçada a foto.
Não tem nada de mais com o retrato dela: é o mesmo de sempre. Já cansei de vê-lo lá, mas dessa vez ele me justificou uma gargalhada que soou estranha para os pacatos tomadores de café que estavam a meu lado. A foto tem o formato de uma 3X4 (danem-se aqueles que forem medir as reais dimensões da foto). Apesar disso, percebe-se que a pose de miss Luft não é a tradicionalmente encontrada em fotos 3X4 encontradas por aí. Ela está com o corpo inclinado para frente, com uma leve rotação de tronco e estampa um semblante misto de sereno e de gravidade. Sabe aquela pose a que os fotógrafos insistem em te submeter? Aquela em que você, sentado, tem que inclinar o tronco, apoiar os cotovelos nos joelhos e ficar olhando pra máquina com cara de foto? Então, é essa a da Lya, mas recortada em 3X4.
Depois de ter contado isso, percebi que é quase certeza que esse relato não vai ter graça para ninguém. Eu, pelo menos não ri agora nem 15% do que ri quando vi a foto na cafeteria. Mas, como o blog é meu e eu escrevo o que eu quiser e como eu já tinha escrito mesmo, quis não desperdiçar o tempo. Afinal é somente um clique que separa a publicação corajosa de um ridículo da sua omissão envergonhada.
Passar bem!
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Discussões orkutianas

segunda-feira, 28 de julho de 2008
Coleção "Primeiros Passos"
Se no álbum de família é mais comum encontrarmos a história fotográfica das crianças com os seguintes capítulos "Primeiro Dente, Primeiro Engatinhar, Primeira Frase, Primeiro Passo, Primeiras Letras", para essa criança, o primeiro capítulo da vida será "Como li aos 10 meses de idade a correspondência do meu avô"!. Legal, não?
Imbuído de tamanho sentimento de surpresa foi que decidi facilitar aos incautos e fugazes possíveis leitores deste humilde blog o caminho para, como largamos na frente, não deixarmos que, pelo meos, este guri nos alcance. Temos alguns anos na frente dele. Keep walking! Fast!
Segue abaixo alguns volumes da famosa coleção "Primeiros Passos" da editora Brasiliense. À medida que for encontrado outros, vou adicionando à lista do blog.
O que é Ideologia? - Marilena Chauí
O que é Imaginário? - François Laplatine
O que é Loucura? - João A. Frayze Pereira
O que é Metafísica? - Heidegger
O que é Religião? - Rubem Alves
O que é Semiótica? - Lúcia Santaella
O que é Filosofia? - Caio Prado Jr.
O que é Sociologia? - Carlos Benedito Martins
O que é Cinema? - Jean Claude Bernadet
O que é Dialética? - Leandro Konder
O que é Ética? - Álvaro L. M. Valls
sexta-feira, 25 de julho de 2008
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Ecos Falsos - Cifras
Aquele abraço!
Fim do Milênio
Intro: G C9 (repete)
(G C9)
Hoje é dia de guerrilha em pleno Afeganistão
Palestino jogou bomba mas não teve a intenção
Presidente democrata nunca mais fumou charuto
Tem cientista escocês que diz que vai clonar o Pluto
REFRÃO:
Bb C
O milênio já acabou e há muita coisa no ar
Bb
Se o céu pegasse fogo, alguém iria notar?
A
O milênio já acabou e isso não é tão ruim
C
Pois é, estamos perto do fim
(G C9)
Papapa papapa papapa papapa
(G C9)
Animais e seus programas são sucesso na TV
Uma loira e sua bunda: é a nova MPB
Cidadão caucasiano se esqueceu que a vida é bela
Tomou um fora na internet e se jogou pela janela
REFRÃO
(G C9)
Papapa papapa papapa papapa
Durante o solo, a base no violão faz essa sequência:
G F Em D7
G D
E o mundo caminha para mais mil anos
Bb
Com suas seitas suicidas e governos desumanos
G D
Ninguém sabe quem vai ser o próximo inimigo
Bb
Mas os mísseis já vêm vindo, e eles são americanos
G D
Os satélites transmitem tudo por TV a cabo
Bb
Pra quem veio do macaco, já é bem mais que o esperado
G D
Qualquer um é cidadão na proporção do que consome
Bb C (G C9)
Será que estamos indo para o lado errado?
REFRÃO
(G F Em D7)
Papapa papapa papapa papapa
Eu Nunca Ganho
Intro: D F G
D
Ultimamente, eu me sinto diferente
F G
Eu nunca ganho nada, será que eu estou doente?
D
Eu nunca ganhei nada desde que eu era pequeno
F G
Prometi não tomar banho agora estou aqui fedendo
[Intro]
D
Mas será que sou só eu que nunca ganho nesse mundo?
F G
Quando jogo paciência eu só fico em segundo
D
Eu nem sei porque estou lhes contando a minha vida
F G
A história é muito chata e não vale as feridas
[Refrão]
D
Eu nunca ganho, eu nunca ganhei,
F G
Será que nessa vida, eu nunca ganharei?
D
Será que vale a pena viver e nunca ganhar
F G
Acho que o problema é do meu DNA
Eu me sinto como um russo no cinema americano
Eu sou sempre o bandido retardado e insano
Eu nunca ganho, eu me sinto tão vazio
Viver nunca ganhando, onde é que já se viu?
Eu nunca ganho aplauso quando eu canto essa canção
A minha auto-estima já se foi há um tempão
Eu nunca ganhei dez da crítica especializada
Eu nunca ganho tudo, eu nunca ganho nada!
[Refrão]
Bolero Matador
Intro: Bm A G F# G F# G
Bm A
Amor, como foi que deixamos o tempo
G
Nos tornar seres tão violentos
F# G F# G
Que nos tiveram de internar
Bm A
Amor, sempre fomos irmãos siameses
G
De tão juntos, brigamos às vezes
F# G F# G
Só a polícia pra apartar
Bm A
Amor, nossa vida que era tão bela
G
Tropeçou e caiu da janela
F# G F#
Foi o que eu disse ao promotor
[Refrão]
G
Dançemos então
Bm
Para aliviar nossa dor
G
Dançemos então
F# G F# G
Esse bolero matador
Solo: Tocar Intro
Bm A
Amor, você quer acertar nossas contas
G
Mas vejo no punhal que me apontas
F# G F# G
Que não queres conversar
Bm A
Amor, enquanto nós rolamos no asfalto
G
Um Scania aparece, tão alto
F# G F# G
Não vai dar pra desviar
[Refrão]
Solo: Tocar Intro
Bm F#
Amor, não diga nada
G
De hoje não passa
F# G F# G
Tudo acabou
[Refrão]
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Memória "Roda Viva"
Dias atrás estava eu passeando pela internet quando recebi a notícia de que a TV Cultura em parceria com a Fapesp disponibilizou (não sei se) todas as entrevistas já realizadas no programa. As entrevistas estão disponíveis para consulta no sítio http://www.rodaviva.fapesp.br/
Aproveitem!
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Pato Fu - Discografia
Acontece que eu não resisto ao meu senso de responsabilidade, que me obriga a retribuir de alguma forma aquilo que usufruo. Então, caros mal-agradecidos, segue abaixo a discografia do Pato Fu, exceto o último disco, que está em postagem anterior.
Rotomusic de Liquidificapum (1993)

Downloadeie este disco
Gol de Quem? (1994)

Downloadeie este disco
Tem mas acabou (1996)

Downloadeie este disco
Televisão de Cachorro (1998)

Downloadeie este disco
Isopor (1999)

Downloadeie este disco
Ruído Rosa (2001)

Downloadeie este disco
Toda Cura para Todo Mal (2005)

Downloadeie este disco


























