


"Havemos de favorecer e ajudar aos necessitados e desvalidos. Hás de saber, Sancho, que este, que vem pela nossa frente, o capitaneia o grande Imperador Alifanfarrão, senhor da grande Trapobana; e estoutro, que marcha por trás das minhas costas, é o do seu inimigo el-rei dos garamantes Pentapolim do Arremangado Braço, porque sempre entra nas batalhas com o braço direito nu. Este Alifanfarrão é um pagão furibundo, e está enamorado da filha de Pentapolim. Seu pai não quer dá-la ao rei pagão”.

Banda de Maringá muito boa, que faz um "rock ´n punk roll, mother fucker" muito da hora!
Banda de Maringá muito boa, que faz um "rock ´n punk roll, mother fucker" muito da hora!
Banda de Maringá muito boa, que faz um "rock ´n punk roll, mother fucker" muito da hora!
Banda de Maringá muito boa, que faz um "rock ´n punk roll, mother fucker" muito da hora!
Rock ´n Roll, baby!
Quero ver quem consegue ficar sem mexer, no mínimo, os joelhinhos.
Eu sei e tenho me esforçado muito. Já cedi às insistências de alguns amigos que me pedem para deixar de ser intransigente e ser mais flexível com alguns costumes alheios. Mas há modas que eu não consigo entender. No círculo universitário, há uma espécie de "máxima" que sentencia que a origem do artigo desqualifica o artigo, usada para incentivar o “não botar muita fé” em análises cujo objetivo não vai muito além de criação de um senso comum que justifique tomadas de posição precipitadas. O fato que me levou a escrever esta postagem, no entanto, não tem nada a ver com isso. Desculpem.
É que eu estava folheando a revista Veja e reparei numa coisa. Parantesis: não gosto da revista, embora seja muitas vezes forçado a lê-la, especialmente quando freqüento cafeterias, consultórios e ambientes afins; isso é engraçado porque, a despeito da aura de seriedade que ronda a publicação, nesses lugares ela fica exatamente no lugar que acredito caber a ela: ao lado de revistas de fofocas, de conselhos astrais, cuja superficialidade invariavelmente leva a quem mergulha em suas leituras freqüentes traumatismos crânio-encefálicos. Parêntesis. Me chamou a atenção aquela coluna da Lya Luft. Mas não foi o texto; foi a foto dela. Li o texto, mas não me surpreendi com ele. Achei engraçada a foto.
Não tem nada de mais com o retrato dela: é o mesmo de sempre. Já cansei de vê-lo lá, mas dessa vez ele me justificou uma gargalhada que soou estranha para os pacatos tomadores de café que estavam a meu lado. A foto tem o formato de uma 3X4 (danem-se aqueles que forem medir as reais dimensões da foto). Apesar disso, percebe-se que a pose de miss Luft não é a tradicionalmente encontrada em fotos 3X4 encontradas por aí. Ela está com o corpo inclinado para frente, com uma leve rotação de tronco e estampa um semblante misto de sereno e de gravidade. Sabe aquela pose a que os fotógrafos insistem em te submeter? Aquela em que você, sentado, tem que inclinar o tronco, apoiar os cotovelos nos joelhos e ficar olhando pra máquina com cara de foto? Então, é essa a da Lya, mas recortada em 3X4.
Depois de ter contado isso, percebi que é quase certeza que esse relato não vai ter graça para ninguém. Eu, pelo menos não ri agora nem 15% do que ri quando vi a foto na cafeteria. Mas, como o blog é meu e eu escrevo o que eu quiser e como eu já tinha escrito mesmo, quis não desperdiçar o tempo. Afinal é somente um clique que separa a publicação corajosa de um ridículo da sua omissão envergonhada.
Passar bem!

(G C9)
Hoje é dia de guerrilha em pleno Afeganistão
Palestino jogou bomba mas não teve a intenção
Presidente democrata nunca mais fumou charuto
Tem cientista escocês que diz que vai clonar o Pluto
REFRÃO:
Bb C
O milênio já acabou e há muita coisa no ar
Bb
Se o céu pegasse fogo, alguém iria notar?
A
O milênio já acabou e isso não é tão ruim
C
Pois é, estamos perto do fim
(G C9)
Papapa papapa papapa papapa
(G C9)
Animais e seus programas são sucesso na TV
Uma loira e sua bunda: é a nova MPB
Cidadão caucasiano se esqueceu que a vida é bela
Tomou um fora na internet e se jogou pela janela
REFRÃO
(G C9)
Papapa papapa papapa papapa
Durante o solo, a base no violão faz essa sequência:
G F Em D7
G D
E o mundo caminha para mais mil anos
Bb
Com suas seitas suicidas e governos desumanos
G D
Ninguém sabe quem vai ser o próximo inimigo
Bb
Mas os mísseis já vêm vindo, e eles são americanos
G D
Os satélites transmitem tudo por TV a cabo
Bb
Pra quem veio do macaco, já é bem mais que o esperado
G D
Qualquer um é cidadão na proporção do que consome
Bb C (G C9)
Será que estamos indo para o lado errado?
REFRÃO
(G F Em D7)
Papapa papapa papapa papapa
D
Ultimamente, eu me sinto diferente
F G
Eu nunca ganho nada, será que eu estou doente?
D
Eu nunca ganhei nada desde que eu era pequeno
F G
Prometi não tomar banho agora estou aqui fedendo
[Intro]
D
Mas será que sou só eu que nunca ganho nesse mundo?
F G
Quando jogo paciência eu só fico em segundo
D
Eu nem sei porque estou lhes contando a minha vida
F G
A história é muito chata e não vale as feridas
[Refrão]
D
Eu nunca ganho, eu nunca ganhei,
F G
Será que nessa vida, eu nunca ganharei?
D
Será que vale a pena viver e nunca ganhar
F G
Acho que o problema é do meu DNA
Eu me sinto como um russo no cinema americano
Eu sou sempre o bandido retardado e insano
Eu nunca ganho, eu me sinto tão vazio
Viver nunca ganhando, onde é que já se viu?
Eu nunca ganho aplauso quando eu canto essa canção
A minha auto-estima já se foi há um tempão
Eu nunca ganhei dez da crítica especializada
Eu nunca ganho tudo, eu nunca ganho nada!
[Refrão]
Bm A
Amor, como foi que deixamos o tempo
G
Nos tornar seres tão violentos
F# G F# G
Que nos tiveram de internar
Bm A
Amor, sempre fomos irmãos siameses
G
De tão juntos, brigamos às vezes
F# G F# G
Só a polícia pra apartar
Bm A
Amor, nossa vida que era tão bela
G
Tropeçou e caiu da janela
F# G F#
Foi o que eu disse ao promotor
[Refrão]
G
Dançemos então
Bm
Para aliviar nossa dor
G
Dançemos então
F# G F# G
Esse bolero matador
Solo: Tocar Intro
Bm A
Amor, você quer acertar nossas contas
G
Mas vejo no punhal que me apontas
F# G F# G
Que não queres conversar
Bm A
Amor, enquanto nós rolamos no asfalto
G
Um Scania aparece, tão alto
F# G F# G
Não vai dar pra desviar
[Refrão]
Solo: Tocar Intro
Bm F#
Amor, não diga nada
G
De hoje não passa
F# G F# G
Tudo acabou
[Refrão]







1. Fica mais um pouco amor
1. Saudosa Maloca

cos 2





X
Certa vez, dias atrás (não) mais precisamente, quando esteve de passagem pelo céu, onde o tempo (dizem) não passa (vai ficando), Brás Cubas foi testemunha ocular de uma contenda digna de nota e resolveu publicizá-la, pois não é cabra de ficar omitindo informações. Para tanto, desceu do firmamento celestial e usou este vosso humilde escriba como mediação psicográfica para que você, amigo leitor, também possa ter conhecimento da anedota, cuja perturbação fez desafinar o canto dos arcanjos.
Já experiente pelas paragens de lá, andava calmamente Dostoiévski pelos prados indo tratar de sua hipoglicemia crônica no riacho onde corre só o mel quando foi acidentalmente interpelado de modo violento por um novato*, cuja fama de provocador já ecoava por lá. O que deixou Dostoiévski mais russo ainda foi que o petulante sequer teve a decência de desculpar-se. Enquanto puxava o fôlego para destilar alguns minutos de um dramático sermão psicológico, o recém-chegado apressou-se a interrompê-lo dizendo atrapalhado:
E é assim que você se apresenta a quem tanto desejavas encontrar, seu desafortunado moleque? Não sabes que que está no espaço do céu reservado aos grandes ex-homens de letras, cuja obra em vida terrena teve impacto tão grande que forçou os planejadores celestiais a criarem-nos um espaço reservado? Certamente, não foi este seu caso. Deve estar aqui por algum engano de cadastro. É nisto que dá informatizar o sistema com software terceirizado. Por favor, tenha a bond...
Tá, tá. Desculpe-me. Meu nome é Leminski, o Paulo, o filho. Feitas as apresentações, quero que percebas que não sou tão desafortunado assim, pois, se não percebeu este diálogo está sendo feito em russo. Se eu sugerisse que conversássemos em minha língua, o constrangimento seria seu e o papel de desafortunado migraria de mim para ti.
Meu rapaz, não me venha com brincadeirinhas. Estou um pouco atrasado para minha dose matutina de glicose. Se me der licença, tenho mais o que fazer.
Não, não. Espere. Tenho uma proposta a lhe fazer. Acredito que a falha de não me conhecer não é só sua; muitos por aqui também ainda me ignoram. Não sei se é só porque acabei de chegar ou porque o pessoal do cadastro ainda não fez as honras da casa por não terem conseguido avaliar o impacto da minha obra lá embaixo. Eu sou o Leminski, o Paulo, o filho. Escrevo hai-kais.
Menino, não me importa quem você seja. Eu já estou velho por aqui, cansado. Cheguei um século na sua frente e tenho que me resignar com o fato de ter que passar aqui toda a eternidade. Não se preocupe, você terá tempo de sobra para que o impacto da sua obra seja reavaliado e você tenha seu desejado reconhecimento, senão aqui, no andar de baixo, onde ficam os imortais da ABL.
Sabia que de onde eu vim o pessoal falava sempre que seu estilo verborrágico já era?
É muito fácil classificar agora o meu estilo de verborrágico, uma vez que estamos passando por uma crise de racionamento de envio de mensagens à Terra e eu fico impossibilitado de responder-lhes à altura. Você disse que costumava fazer hai-kais, mas não atina para o fato de que sua concisão pode ser um fruto indireto do esforço a que submeti os tradutores de sua terra? Estimulando-os a estudar a língua preparei o terreno para vocês, pretensiosos concretistas. E tem outra coisa, pensa que eu não sei que eras assíduo leitor de Joyce, cujo esforço maior rendeu-lhe o Ulisses? Perto do meu crime “verborrágico”, o Ulisses é um castigo.
Já vi que nem mesmo oferecendo-lhe vodca darás o braço a torcer, não é mesmo? Pois então, lanço-lhe um desafio: me dite um mote qualquer sobre o qual cada um de nós escreverá. O resultado será posto à apreciação de arcanjos de sua escolha para que divulguem o resultado do embate literário entre o russo que não polpa rodeios e o paranaense que nem gosta de touros.
Combinado, pois. Teremos ambos o tempo de 35 minutos para terminar, após o que os textos serão prontamente postos à avaliação.
OK, então. Amanhã no mesmo horário e lugar. Traga sua torcida.
Não precisarei. Vejo-te amanhã. Prepare-se.
No outro dia, no horário combinado, estavam lá os dois combatentes munidos não somente de seus egos inflados, como também de suas canetas e papeis celestiais. O mote combinado entre ambos foi a fugacidade das coisas. Dada a largada, pôs-se Dostoiévski imediatamente a debruçar-se sobre suas laudas completando-as longamente com frases contínuas de especiais referências à natureza dramática da condição humana, enquanto o Leminski se engraçou para o lado de umas “pseudo-anjas” que passavam ali por acaso e tentava conquistá-las com golpes violentos numa harpa usada que adquirira de um candidato à reencarnação. Aos que assistiam a essa cena vinham-lhes imediatamente à memória a fábula da cigarra e da formiga. Com um diferencial: nenhum dos dois haveria de passar fome nunca, uma vez que no céu não há estações do ano e há leite, mel e vida em abundância.
A apenas alguns minutos de terminar o tempo combinado, vendo que Dostoiévski já virava a 36º página completa, o Leminski decide pôr-se a pensar e em menos de 45 segundos terminava sua intervenção sem ter escrito sequer uma letra. Visto isso, e depois de encher os ouvidos dos espectadores com suas comoventes metáforas, Dostoiévski já se considerava vencedor da contenda quando o paranaense decide se pronunciar e revelar sua tão enigmática argumentação sobre a “fugacidade da vida”. Apelando para o estilo mais caro ao seu admirado Castro Alves, Leminski puxa profundamente o fôlego, soltando-o muito lentamente, interrompendo de repente essa sua vagarosa expiração. Frente aos olhares atônitos dos presentes, que definitivamente não faziam a menor idéia do que aquele esquisito estava tentando demonstrar, Leminski com o resto de ar que ainda lhe restava nos pulmões diz em alta voz:
“Esvai-se a vida
No ritmo abrupto
De um suspiro
Em suspensão”